Segunda-feira, 5 de Abril de 2010

O último fim-de-semana

Este foi o último fim-de-semana que passámos juntas.

Tu, doente, na cama, sempre preocupada comigo. Eu, também na cama, magoada, desiludida, sem rumo.

Estávamos cegas e continuamos como se nada fosse e pensando que irias viver eternamente.

 

Ironicamente, nos últimos tempos, tinha medo de te perder. Sempre que partia pensava que podia ser a última vez que te via, no entanto, não conseguia mudar nada.

 

Uns dias antes da tua ida para o hospital encontrei a descrição do que sentia que sucederia (sem imaginar que fosse tão cedo):

 

"O que devias dizer à pessoa querida fica para sempre dentro de ti; ela está ali, debaixo da terra, e tu não podes olhá-la nos olhos, abraçá-la, dizer-lhe o que ainda não lhe tinhas dito. (...) Sei que os mortos pesam menos pela ausência do que por aquilo que - entre nós e eles - não foi dito."

 

Susanna Tamaro, Vai aonde te leva o coração

 

Penso em ti como se ainda cá estivesses ou esperando que algum dia nos voltemos a ver.

Todo o teu amor, dedicação e carinho ficaram em mim. Amo-te mãe.

 

 


publicado por Narcolepsia às 21:13
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3 comentários:
De Bruno a 5 de Abril de 2010 às 23:21
É triste ver partir alguém que tão intimamente esteve ligada a nós, desde a concepção, até ao parto, até ao crescimento, pena a tua mãe não tenha podido ficar para ver na bela mulher que a filha se tornaria.
Temos de ter esperança que esteja onde estiver está livre do sofrimento e te está a guardar.
Estou aqui querida, para amparar as tuas lágrimas, para te ajudar não a esquecer mas a relembrares a tua mãe com o carinho e maor que lhe tinhas.
Beijinho doce Cristina


De Carla a 25 de Abril de 2010 às 21:27
Nunca tinha visto nenhum autor descrever este sentimento de "culpa" e "inacção" que eu também sinto, desde que o meu pai morreu - e inacreditavelmente já passou quase um ano (e ainda hoje tenho dias em que este sentimentos não me saem da cabeça e geram em mim uma choradeira pegada, mas que sempre vai servindo de alívio, quando feita nos braços certos).


De Narcolepsia a 26 de Abril de 2010 às 07:37
É por estar a fazer um ano que me faz lembrar mais, mesmo que nestes meses sempre me tenha lembrado sempre, umas vezes mais do que outras. Os pais parece que são eternos...por isso não contamos perde-los, ainda mais, tão cedo.


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